Publicado em 15.05.2018 - Parceria Escola-Família - Sem comentários

Amor sempre cabe em todas as horas e momentos da vida de uma criança ou adolescente, e a disciplina também. Não há uma fórmula-padrão. Porém, tem algo que é certo: quanto mais cedo essa disciplina acontece, de forma consciente, maior será a possibilidade dos filhos serem adultos mais sociáveis e responsáveis.

Atitudes amorosas, regras claras e a aplicação das consequências estabelecidas previamente, estimulam o desenvolvimento de comportamentos positivos na criança. Quando os pais se comportam dessa maneira, a criança é estimulada a explorar seu ambiente, respeitando, ao mesmo tempo, certos limites. Pais interessados que dão oportunidade à criança transmitem a ela confiança.

Respeitando a personalidade de cada criança, os pais devem discipliná-la de forma que não seja excessivamente autoritária nem excessivamente permissiva. Crianças que são controladas de forma muito rígida terão grande possibilidades de apresentarem dificuldade para tomar decisões e expressar suas necessidades. Por outro lado, crianças às quais é permitido fazer tudo o que querem terão dificuldade para saber o que é ou não aceitável.

Para Lya Luft, em seu artigo Educação e Autoridade, um não é necessário na hora certa, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais para a realidade da vida (que não é sempre gentil) do que a negligência de uma educação liberal demais, que é deseducação. Quem ama cuida, e cuidar dá trabalho, é responsabilidade e nem sempre é agradável ou divertido.

Disciplina adequada resulta em sucesso na escola e na capacidade de fazer amigos. Se os pais não conseguem construir respeito por regras, não oferecem supervisão suficiente (não se envolvem nas atividades da criança, não são encorajadores) e reagem com punições, explosões de mau humor ou rigidez nos primeiros anos de vida (de zero a 5 anos), é possível que a criança desenvolva diversos tipos de problemas comportamentais.

Pequenas, mas com vontades próprias, as crianças necessitam de disciplina para conhecerem os limites e valores importantes como o respeito. No entanto, a disciplina não deve ser reservada exclusivamente para os momentos em que as crianças se portam mal, deve ser algo contínuo para que a criança saiba distinguir entre o que é certo e o que é errado.

Negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angústia. Quem dá forma ao mundo ainda informe de uma criança e um pré-adolescente são os adultos. Se eles se guiarem por receitas negativas de como educar, possivelmente não educando, a agressividade e a inquietação dos filhos crescerão mais e mais, na medida em que eles se sentem desprotegidos e desamados, porque ninguém se importa em lhes dar limites. Falta de limites, acreditem, é sentida e funciona como desinteresse.

Abaixo, seguem algumas regras de como podemos contribuir com o desenvolvimento e disciplina dos nossos filhos, ajudando-os a serem responsáveis e disciplinados, aprendendo a ser, pouco a pouco, mais autônomos, ter mais estabilidade emocional e, portanto, mais maturidade.

1. Regras e limites

A melhor forma de facilitar a disciplina de uma criança é estabelecer regras e limites claros, ou seja, que sejam claramente perceptíveis pela criança. As regras e os limites são fundamentais para a criança aprender o autocontrole, para saber o que está certo e errado, facilitando a vivência dentro e fora da esfera familiar. Conhecidas as regras, a vida torna-se mais fácil para pais e crianças.

2. Consequências claras

Da mesma forma que as regras para crianças têm de ser simples e claras, também as consequências devem ser. Se existe um castigo para o mau comportamento – ir para a cama mais cedo, não poder ver televisão ou brincar com um certo brinquedo – é importante que essa consequência se materialize. Só assim é que as crianças vão perceber que não podem contornar as regras, nem desafiar os limites sem terem de lidar com as consequências. Por mais que lhe possa custar, há que cumprir as consequências – nunca ninguém disse que a disciplina ia ser fácil, mas mais importante do que isso é que seja eficaz. A longo prazo valerá a pena.

3. Respeito

Ensinar a criança a respeitar não só os adultos, mas todas as pessoas que a rodeiam passa por coisas tão simples como aprender a dizer “por favor” ou “obrigado”. Não gritar ou bater são outras ações que devem ser controladas, para limitar a agressividade nas crianças. Fale com a criança da mesma forma que gostaria que ela falasse. É importante que a criança possa falar e expressar tudo o que lhe apetece, mas sempre com respeito pelo outro.

4. Sim em vez de não

Uma criança deve ser encorajada sempre com frases positivas e nunca negativas. “Eu sei que você é bom nisso e vai fazê-lo muito bem”, por exemplo.

5. Descobrir as causas

Se o mau comportamento é uma constante e todos os atos de disciplina estão a ser infrutíferos, é importante avaliar a situação e perceber qual o motivo por de trás da desobediência: será que aconteceu alguma coisa? Será que a criança não se sente bem? Dorme o suficiente? O mau comportamento nem sempre é capricho infantil, por isso, converse com a criança depois de ela se acalmar e tente avaliar melhor a situação e a forma como a pode resolver.

6. Seja firme

O segredo por de trás do sucesso da disciplina infantil é a capacidade de manter-se firme, ou seja, se a criança já sabe que não pode levar brinquedos para a escola, não ceda só porque ela resolveu fazer uma birra gigante; se a hora de dormir é às 20h30, não ceda porque a criança quer brincar mais um bocadinho. No momento em que ceder, a criança vai continuar a testar os limites inúmeras vezes.

7. Gosto de ti

Ser firme não significa que não pode dizer à criança quanto gosta dela ou de explicar porque não gostou de determinada ação ou palavras. É uma forma interessante de mostrar à criança que a disciplina não significa que se goste menos um do outro.

8. O poder é seu

Não há volta a dar, os pais são quem mandam, por isso, utilize isso para seu benefício. As crianças observam e copiam tudo aquilo que seja do mundo adulto, por isso, se estiver sempre a gritar com os filhos, eles vão pensar que não há nada de errado com isso e serão certamente um espelho do mesmo tipo de comportamento. Ao respirar fundo e pensar duas vezes antes de falar, pode fazê-lo de forma calma, lembrando à criança que é assim que se fala e se deve comportar. Cabe aos pais estabelecer o tom das situações, que as crianças acabam por seguir esse caminho.

9. Cuide-se

As crianças são os seres mais maravilhosos do mundo, mas a rotina diária e as diferentes fases do seu desenvolvimento podem revelar-se verdadeiros desafios para qualquer mãe ou pai. Daí a importância de cuidar de si – encontre tempo de qualidade para estar sozinho, mas também com o seu companheiro(a), faça atividades que lhe permitem aliviar o stress – desta forma estará mais preparado para enfrentar, de forma calma e exemplar, os desafios da disciplina infantil.

10. É preciso dar-lhes responsabilidades conforme a sua idade

Recolher os brinquedos, ajudar a tirar a mesa, limpar a casa…

11. Avanços e recuos

Disciplinar uma criança não é algo que acontece de um dia para o outro e, embora seja mais fácil perceberem as regras à medida que vão crescendo, isso não significa que de vez em quando não haja uma grande birra, portas a bater, irmãos a brigar ou outros comportamentos menos positivos. Esteja preparado para esses momentos.

 

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Textos disponíveis em: 

http://www.ebc.com.br/infantl/para-pais/2015/02/disciplina-importancia-de-estabelecer-regras-claras (adaptado para fns pedagógicos).

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/educacao-autoridade-500682.shtml- Lya Luf

Serviço de Orientação Psicopedagógica – SOP