Publicado em 17.04.2018 - Parceria Escola-Família - Sem comentários

Nos últimos anos, a ciência descobriu a grande importância que as emoções apresentam em nossa vida. Os pesquisadores comprovaram que a consciência emocional e a capacidade para gerenciar os sentimentos são muito importantes para se obter êxito e felicidade em todos os âmbitos da vida, juntamente com o coeficiente intelectual.

“A vida em família é a nossa primeira escola para o aprendizado emocional”, escreve Daniel Goleman. Por isso é tão importante tomar consciência de como as experiências familiares influenciam os filhos e agir em conformidade com elas.

As crianças aprendem a maioria das lições sobre emoções com seus pais. Isso inclui a capacidade de controlar os impulsos, postergar a gratificação, motivar a si mesmo, ler os sinais sociais dos demais e fazer frente aos altos e baixos da vida, gerenciando a tensão e a ansiedade adequadamente.

No seio familiar, diz Goleman, aprendemos sobre nós mesmos e sobre como os demais reagem diante dos nossos sentimentos, sobre como pensar a respeito desses sentimentos e as opções que temos para reagir diante deles. Essa maneira de agir oferece às crianças um modelo para o gerenciamento dos próprios sentimentos.

Autoconhecimento, a base para educar os filhos com inteligência emocional

As experiências do passado e da própria infância se fazem presentes quando os pais enfrentam o desafio de educar seus filhos. É fundamental ter consciência da influência que as lembranças do passado têm e dos sentimentos provocados quando elas são negativas. Caso nada seja feito, se não tomarmos consciência dos nossos próprios sentimentos, corremos o risco de desenvolver padrões de educação contrários aos que desejamos para nossos filhos.

Quando os pais tomam consciência dos desejos, motivações e sentimentos que os invadem nos momentos felizes e nos de conflito e preocupação, são mais capazes de dominar seus impulsos, especialmente em situações de tensão emocional com as crianças.

Assim, se estabelece a base de uma competência emocional adequada. Já que os pais são capazes de gerenciar os seus sentimentos, seus filhos também serão capazes de fazê-lo. Entretanto, se os pais se deixarem levar pela ira e perderem o controle, seus filhos irão reproduzir o padrão aprendido com eles.

Educar as emoções na família

Saber gerenciar as emoções é fundamental para a saúde emocional dos filhos, já que assim eles terão um suporte estável e seguro para amadurecer. Quando os pais são capazes de gerenciar adequadamente as suas emoções e são capazes de detectar as necessidades dos seus filhos, contribuem para que eles se sintam seguros. Essa sensação de segurança oferece um fundamento que serve como apoio quando precisarem de ajuda, consolo ou carinho.

John Gottman propõe o seguinte processo de treinamento emocional para que os pais ajudem seus filhos a gerenciarem as suas emoções:

  1. Tomar consciência das emoções da criança;
  2. Reconhecer a emoção como uma oportunidade para a intimidade e ensinamento;
  3. Escutar com empatia, validando os sentimentos da criança;
  4. Ajudar a criança a encontrar as palavras para nomear a emoção que está sentindo;
  5. Estabelecer limites e explorar estratégias para resolver o problema em questão.

Diante desse processo de treinamento emocional, uma reportagem da Revista Crescer* nos lança outras sugestões complementares às colocações de Gottman, como:

  • Vínculos afetivos e efetivos: Até os laços familiares exigem empenho e manutenção para se firmarem, isso significa estar ao lado, acompanhar (e não apenas cobrar), achar o equilíbrio entre intenso e sereno. Mesmo ao mais ocupado dos pais, não pode faltar o momento de conversar, orientar, pegar na mão, olhar nos olhos e entender as angústias. Isso vai contribuir para que o seu filho se sinta seguro e saiba que pode contar com você.
  • Autoestima: Dizer, o tempo todo, que a criança é a mais linda do mundo não vale muito. Autoestima de verdade tem mais a ver com permitir que ela se sinta segura, arrisque-se mais e confie no próprio potencial, sem depender das opiniões alheias. O elogio é válido desde que seja pertinente. “Em vez de elogiar a capacidade, parabenize o esforço. Aí, sim, a criança será motivada a sempre superar a si mesma.” Isso quer dizer que frases como “Parabéns, você conseguiu terminar a lição” são muito melhores do que “Como você é bom em Matemática!”, diz a psicopedagoga Quézia Bombonato, da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).
  • Resiliência: Está relacionada à capacidade de lidar com problemas e superar obstáculos. Uma revisão de estudos da Universidade da Pensilvânia (EUA) descobriu que ensinar resiliência e otimismo no dia a dia protege as crianças contra a depressão, aumenta a satisfação com a vida e melhora a aprendizagem. O exercício dessa habilidade depende da interação com o outro, ao fazer com que a criança entenda que nem sempre tudo vai acontecer como deseja. Às vezes, é preciso esperar; outras vezes, é necessário ceder ou recuar.
  • Frustrações: Uma boa dose delas dá ao seu filho algo importante: choque de realidade. Não ganhar um brinquedo ou perder um jogo podem fazê-lo sofrer, mas são ótimos ensaios para as situações que precisará enfrentar mais para a frente, quando se deparar com um “não”. Saiba que ele vai se decepcionar e chorar, mas também vai aprender. Além de dar a negativa, você precisa fazer com que ele entenda o porquê. Assim, vai adquirir uma consciência crítica e a proibição se traduzirá em aprendizado. E se vier a birra, verbalize que ele está chorando porque sente raiva ou está decepcionado, mas que tem de lidar com isso.
  • Brincadeira (muita!): Toda angústia ou receio, que incomoda seu filho e ele não sabe expressar, pode ser manifestada de forma espontânea no ato de brincar. É pela diversão, principalmente coletiva, que se desenvolve o senso de competência, de pertencimento, o controle da agressividade e o bem-estar. “O brincar e a arte são formas de expressão que possibilitam elaborar situações do cotidiano, externando sentimentos”, explica Adriana Friedmann, antropóloga e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento (SP). Quando uma criança brinca de casinha e se põe no lugar da mãe, tem a chance de refletir sobre as ações e características do imitado. Ao interagir com outras crianças, aprende a respeitar a opinião do outro, descobre que existem regras e que nem sempre tudo será do jeito dela.

Portanto, as crianças cujos pais praticam constantemente este treinamento emocional possuem uma melhor saúde física e obtêm melhores resultados acadêmicos que as crianças cujos pais não oferecem essa orientação.

Essas crianças “treinadas emocionalmente” se dão melhor com os amigos, apresentam menos problemas de comportamento e são menos propensas a atos de violência. Além disso, essas crianças expressam sentimentos menos negativos e sentimentos mais positivos, mas ainda que continuem ficando tristes e se irritando ou se assustem em circunstâncias difíceis, são mais capazes de se acalmar, de se recuperar da angústia e continuar com as atividades produtivas. Em outras palavras, são mais inteligentes emocionalmente.

Disponível em: http://amenteemaravilhosa.com/ (adaptado para fins pedagógicos).

Serviço de Orientação Psicopedagógica – SOP

 

*Reportagem da Revista Crescer disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Criancas/Comportamento/noticia/2014/06/5-pilares-para-o-seu-filhodesenvolver-inteligencia-emocional.html)

Indicação de leitura:

– O cérebro e a inteligência emocional – Daniel Goleman – Ed. Objetiva;

– Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos – John Gottman – Ed. Objetiva.